Durante muito tempo Monet foi considerado, como
Cézanne observou, "meramente um olho, mas que olho", traduzindo
para as telas as imagens diante dele. Cézanne foi um pintor intelectual,
criador de uma teoria que se tornou a base da arte moderna; quando ele
chamou Monet de "meramente um olho", não quis dizer o
olho mundano atravéz do qual a maioria de nós vê o
mundo. O olho de Monet era o olho de um pintor, um olho com uma mente criativa
por detrás, interpretando a realidade aprente e colocando-a no contexto
das idéias do pintor, criando assim uma nova visão para o
espectador.
Impressão - Nascer do Sol
1872
A abordagem do mundo por Monet seguia linhas
venezianas em vez de florentinas: ele interpretava o mundo atravéz
da cor e não do desenho. Seus ancestrais são Ticiano e Claude,
e não Michelangelo e Poussin. Como seus predecessores, Monet descobriu
que a cor tem suas próprias razões, assim como o desenho,
a cor rompe as nítidas exigências da linha. Monet buscava
a verdadeira realidade por trás da aparência visual esticando
a cor até seu limite e procurando, na própria natureza, aquelas
nuanças significantes que expressam a realidade do mundo.
Claude Oscar Monet nasceu em Paris, no dia 14
de novembro de 1840. Seu pai era comerciante de secos e molhados e queria
que o filho tivesse uma profissão. O destino decidiu o contrário.
Quando Monet estava com cinco anos, a família se mudou para Le Havre,
um agitado porto marítmo na desembocadura do Sena, perto das espetaculares
rochas brancas de Etretat e Fécamp. O jovem Monet ficou excitado
com o movimento das embarcações e com os variantes humores
do mar - eles atraíam seu temperamento naturalmente volátil
e sentimental.
No final da adolescência, ele conheceu Eugène
Bodin, pintor que tinha uma loja de pigmentos em Honfleur. Bodin viu alguns
desenhos do jovem Monet e o encorajou a pintar e, o que é mais,
a pintar ao ar livre, método não muito comum numa época
de pintores de ateliê.
Entusiasmado com a idéia de ser pintor,
Monet foi para Paris, ingressando na Académie Suisse e no estúdio
Gleyre. Ambos os lugares eram sementeiras para novas gerações
de pintores e ali Monet conheceu Bazille, Pissaro, Renoir, Sisley e outros,
os dois últimos se tornara seus amigos para o resto da vida.
Em 1870, Monet casou-se com Camille Doncieux e
os dois foram para Trouville passar a lua-de-mel. De lá, Monet foi
até Le Havre e, por motivos que ninguém soube explicar, mas
que provavelmente estavam relacionados com o medo de ter que se alistar
no exército francês, viajou para a Inglaterra no início
da Guerra Franco-Prussiana. Sua mulher teve que ser resgatada por Boudin
e enviada depois dele.
Le Déjeuner - 1872
Em Londres, para onde Pissaro também fugira,
Monet pintou suas primeiras cenas londrinas. Terminada a guerra, ele e
a mulher voltaram para a França, em 1872, e fixaram residência
perto de Paris, à beira do Sena, em Argenteuil. Ali, Monet iniciou
um fértil período de pinturas e discussões sobre arte
com seus amigos Renoir, Manet e Sisley. Em 1878, mudou-se novamente para
a vizinha Vétheuil. Foi ali que Monet fez amizade com um rico negociante,
Ernest Hoschedé e sua esposa, Alice, que se tornaram admiradores
de seus quadros. Quando os negócios de Hoschedé foram abaixo,
ele desapareceu deixando a mulher e os filhos com Monet.
Campo de Papoulas - 1873
No ano seguinte, sua amada esposa Camille, morreu
de tuberculose meses depois de ter dado à luz o seu segundo filho.
Monet registrou o seu leito de morte em um quadro extraordinário.
Depois da morte de Camille, o inquieto Monet fez várias viagens
à Riviera francesa e à italiana, à Normandia e à
costa atlântica da França. Onde ia, pintava, mas não
estava contente com o seu trabalho. Temas diferentes não eram a
resposta; o importante era a pintura em si, o significado da realidade
atravéz da cor.
Monet acabou voltando para o campo perto de Paris,
alugando e depois comprando uma casa em Giverny onde começou a plantar
um jardim onde pudesse pintar. Em 1891, começou a sua famosa série
de montes de feno nos campos circunvizinhos, em todas as épocas
do ano e condições climáticas. Um ano depois, começou
a sua igualmente famosa série de quadros da Catedral de Rouen. Ao
mesmo tempo, pintou várias vezes o seu jardim em Giverny.
Alice Hoschedé já compartilhava
da vida de Monet há alguns anos: as cartas que lhe escreveu sobre
as axcursões para pintar, e sobre seus medos e esperanças,
dão uma visão maravilhosa da mente do artista. Quando o marido
dela morreu, em 1892, Alice e Monet se casaram.
Catedral de Rouen - 1894
Monet entrou numa fase feliz e produtiva da sua
vida. Seus trabalhos foram aceitos pelo Salão Oficial e não
lhe faltava dinheiro. Viajava para a Noruega, Veneza, Londres, mas seu
lar, tanto doméstico quanto artístico, era em Giverny.
A morte de Alice, em 1911, deixou-o só
e desolado, e ele estava tendo dificuldades para enxergar. Depois de uma
operação de catarata, e usando óculos especiais, pôde
continuar trabalhando e foi incentivado por Georges "Tigre" Clemenceau
a terminar a grande série de nenúfares que o governo francês
adquiriu. Embora aclamado como um grande pintor fanês, o próprio
Monet, como a maioria dos artistas, jamais sentiu ter alcançado
a perfeita realização de suas idéias. Morreu no dia
6 de dezembro de 1926.