Girassóis - 1888
Vincent van Gogh não se enquadra em nenhuma
escola de pintura, embora sua extraordinária percepção
das cores possa ter se originado das teorias impressionistas. Foi depois
de se juntar ao irmão Théo, em Paris, e conhecer os "Impressionistas"
que van Gogh começou a abandonar os tons escuros que até
então usara, preferindo as cores puras primárias e secundárias,
e adotar as pinceladas irregulares que davam uma sensação
de luminosidade e leveza aos quadros impressionistas. Começou também
a pintar a ar livre, hábito que conservou até morrer. A técnica
de pinceladas firmes e carregadas que criou para seu próprio uso,
aplicadas sem hesitação, permitiu-lhe pintar rapidamente
e produzir um vasto número de obras nos últimos dois anos
e meio de sua vida.
Vincent William Van Gogh nasceu em Groot-Zundert,
uma cidadezinha em Brabante, no dia 30 de março de 1853. O pai era
pastor protestante e Van Gogh herdou dele o forte sentimento religioso
pela vida e pela natureza que caracterizou o seu trabalho. Ele e o irmão
mais novo, Théo, eram muito amigos e este não só incentivou
o seu desejo de ser pintor como, na verdade, sustentou-o financeiramente
nos últimos anos de sua vida. O primeiro emprego de Vincent foi
nas filiais de Paris, Bruxelas e Londres da Goupil e Cie, empresa que negociava
objetos de arte fundada por seu tio. Mais tarde, tentou ensinar em Londres
e, depois, trabalhou pregando nas minas e distritos agrícolas pobres
de Brabante. Foi aí que Van Gogh começou a expressar nos
seus desenhos o que sentia pelas pessoas que o cercavam. Vivia tão
pobre quanto elas, ao lado de uma prostituta que tomara a seus cuidados,
mas a sua dedicação cristã foi mal compreendida e
a sua igreja o censurou.
Noite Estrelada - 1889
Mais tarde, um amor não correspondido
levou-o a tentar o suicídio. Em 1880, Van Gogh resolvera estudar
arte em Bruxelas e Haia, acabou por juntar-se ao irmão Théo,
que trabalhava para o Goupil et Cie em Paris. Ali, Van Gogh conheceu Degas,
Pissarro, Signac, Seurat, Toulouse-Lautrec, Monet e Renoir, e descobriu
a sua verdadeira vocação.
Depois de dois anos em Paris, durante os quais
pintou mais de duzentos quadros com a ajuda financeira do irmão,
Van Gogh foi para Arles, no sul da França. Alugou um estúdio
num local batizado de Casa Amarela e ali esperou que o amigo Gauguin viesse
lhe fazer companhia. Gauguin relutava mas, como Théo era o seu marchand,
sentiu-se obrigado a passar algum tempo com Vincent. Os dois homens estabeleceram-se
em Arles, mas a tensão entre eles era muito grande, principalmente
devido ao temperamento exaltado de Van Gogh, e Gauguin anunciou que ia
voltar para Paris. Uma noite, percebeu que estava sendo seguido pelos jardins
públicos de Arles por Van Gogh que o ameaçava com uma lâmina
de barbear ou faca. Gauguin dormiu aquela noite no hotel e, no dia seguinte,
voltando a Casa Amarela, soube que tinham levado Van Gogh para o hospital.
Vincent cortara parte da orelha e a dera de presente a uma prostituta do
bar que os dois costumavam freqüentar.
Depois disso, Van Gogh retirou-se voluntariamente
para um asilo para doentes mentais em St-Rémy-de-Provence, onde
esperava recuperar a confiança em si mesmo e a estabilidade mental.
Enquanto esteva internado, pintou sem parar e escrevia ao irmão
e a Gauguin garantindo-lhes que já estava curado. Outros anos se
seguiram; Van Gogh percebeu que era vítima de uma doença
incurável.
Meio-dia (a partir de Millet) -
1890
Em 1890 deixou St-Rémy e o clima ameno
do sul e, seguindo o conselho de Pissarro, foi para Auvers-sur-Oise, onde
um certo Dr. Gachet cuidou dele. Ali continuou pintando mas, depois de
uma visita a Paris, onde soube das dificuldades financeiras do irmão
e da doença do sobrinho, Van Gogh teve uma recaída. Um dia,
enquanto pintava ao ar livre em Auvers, deu um tiro no peito. O ferimento
não parecia ser muito grave. Dr.Gachet fez o curativo e chamou Théo
em Paris. Dois dias depois, em 29 de julho de 1890, Vincent Van Gogh morria.
Foi enterrado no cemitério de Auvers.