Mortalidade
Aonde vai de nós a vida, assim doída,
que por mais busquemos, ela nos vai;
nos deixa; 'alegremente' se esvai.
Aonde anda ela, essa tão mortal ferida.
Que de sonhos e deslumbres tais,
nos inebria, sem que evitar se possa,
vivendo da rude ignorância nossa,
de nela crer, e nos crer não mortais...
Que de suspiros tantos só vivemos,
nessa mania louca em crermos no eterno,
vida de crença em um certo "eu" interno,
alegoria essa que debalde cremos.
Aonde então a vida anda, tal vil mentir,
que qual fora verdade em essência,
nos tolhe em todo esta pouca consciência,
De irmos à ela, mas ela de nós partir...